silenciar e esperar
tenho vivido de sumiços
pois ser invisível é o mais possível
me faltam palavras, perco a voz
acho que a garganta queima, não à toa
pois ser invisível é o mais possível
me faltam palavras, perco a voz
acho que a garganta queima, não à toa
ela me tranca e diz
fique quieta
é difícil mesmo falar pra fora
e para além das amígdalas
porque há um imenso coro de vozes dentro
porque há um imenso coro de vozes dentro
que me enlouquece a conta gotas
[silenciar]
tenho vivido de sumiços e silêncios
alguns choros no escuro
onde a vista de ninguém, nem a minha, alcança
tenho tentado
alguns choros no escuro
onde a vista de ninguém, nem a minha, alcança
tenho tentado
e às vezes até consigo
e às vezes até sou eu mesma
[esperar]
tenho vivido de sumiços, silêncios e impaciência
não quero dividir meu turbilhão com ninguém
não quero explicar meus sentimentos
aprofundar-me em nada
apenas esperar
enquanto fumo mais um cigarro
que a minha voz retorne.