instrumentos de tortura
tenho trinta anos
e choro deitada
na cadeira da dentista
que diz delicada, me olhando de ponta cabeça
"calma, não farei nada que você não queira"
e penso
como pode essa mulher desconhecida
ser tão mais compreensiva do que o homem
que diz me amar?
e choro deitada
na cadeira da dentista
que diz delicada, me olhando de ponta cabeça
"calma, não farei nada que você não queira"
e penso
como pode essa mulher desconhecida
ser tão mais compreensiva do que o homem
que diz me amar?
tenho trinta anos
e choro deitada
em minha cama
e do outro lado da linha
você diz um pouco amargo
"não posso te dar nada"
e penso
como pode esse homem
que tanto conheço
ser assim?
começo quase a sentir falta dos procedimentos odontológicos
e é sexta-feira, uma madrugada
outubro/23