janeiro de 24

tudo doeu, por muito tempo doeu.
hoje não deixou de doer, mas dói diferente
às vezes a dor é surpresa, às vezes ela é passagem, às vezes e na maioria delas, é deboche, porque rir dela é um jeito de humanizá-la também e torná-la menos assustadora
eu nunca fui a pessoa que recuava da dor, num geral, tolerei tempo demais
num geral, tentava demais
e buscava resolver pelos outros seus problemas, seus dilemas, queria dar colo, queria afagar, adotar, sorrir junto
hoje entendo que não é necessário tentar demais, há algo de precioso em largar as cordas que estrangulam os dedos, há algo de precioso na desistência, num fracasso singular e autêntico, numa perda
às vezes a gente tenta demais
e desistir, como lindamente escreveu a Jarrid "é coragem difícil, somos programados para tentar"

esse não é um texto de ano novo, mas é um texto sobre a vida
quando entendi que viver era mais do que sobreviver
apostei nessa pista chamada desejo e vi
o mundo deixar de existir pra nascer de novo
sempre penso na análise e no "só depois" que ela lindamente nos demanda a ver
paciência, observação, avaliação
saber, deixar decantar, é saber de forma mais desperta

janeiro, passe devagar