não era eu
Eu atendi um telefone público. Uma mulher me pedia para levar o telefone até a capital, para que ela pudesse ouvir o coração do bebê. Eu tentava educadamente explicar pra ela que eu não estava indo pra lá, que eu não poderia ajudar, que não dava. Ela insistia. Eu fingia que a ligação caía. E tentava devolver o telefone no lugar.
Eu dirigia, mas não sei dirigir. Sem medo de estradas, mas morro de medo de estradas.
Eu atendia, geralmente não atendo.
Não havia fio no telefone. Não havia nada que o conectasse naquele lugar. Não havia nada, só o movimento.
Tinha cachorros. Eles pulavam tão alto, inexplicável.
Tinha uma casa que não era minha, uma habilidade que não era minha, uma coragem que não era minha.
Não era eu.
Eu dirigia, mas não sei dirigir. Sem medo de estradas, mas morro de medo de estradas.
Eu atendia, geralmente não atendo.
Não havia fio no telefone. Não havia nada que o conectasse naquele lugar. Não havia nada, só o movimento.
Tinha cachorros. Eles pulavam tão alto, inexplicável.
Tinha uma casa que não era minha, uma habilidade que não era minha, uma coragem que não era minha.
Não era eu.
de 2021.