junho

esse mês também dá pra aniversariar, assoprar velas simbólicas e lembrar de dançar com o corpo que se tem
nem sempre disposto, mas sempre aqui
dia 03 ou 30, tanto faz, mesmo que os números sejam iguais
dá pra compor diferenças com as semelhanças
brincar
o espaço de tempo que me importa é o mês, é junho
porque há um ano atrás o sol se ajeitava gelado, para começar uma nova volta, começar um novo começo
não sei bem e venho tentando dizer
muitos medos rondaram e muitas memórias são difusas
meus olhos de astigmatismo desfocam, borram as linhas, sensíveis que são
memória de corpo é essa que lembra: nem sempre o sol foi generoso
algumas coisas foram compostas com o tempo, com os ditos, um caça palavras em russo
não sei ler em russo
teve muito escuro e frio mesmo de dia, mesmo com a claridade invadindo os poros
quantas fantasias precisam cair para fazer eclodir outra coisa, outra vida, outro real?
quantas fantasias, quando caem, derrubam a gente junto?
rasteira rápida, tombo seco no asfalto, pele ralada
essa coisa de translação é mesmo trabalhosa
e exige uma paciência que foi cultivada nas apostas, mesmo quando o solo parecia seco
nada bastava
deixar girar então o planeta, deixar nascer dia e noite
repetir repetir repetir enquanto busco frestas pra me aquecer
e fazer o corpo sentir-se vivo no calor
junho chegou com muito, muito sol logo no começo
e sim, dá pra dançar junho com o corpo que se tem