abismo sem ponte, travessia inóspita

não importa o querer
só o desencontro
um abismo sem ponte
de um lado
ele sussurra

ouço pelas metades, ruídos 
apelos simbólicos
de outro
eu grito alto


sim ele franze a testa
como quem não escuta nada
aperta os olhos para ouvir melhor
e isso o faz irado
não há um esforço conjunto
não há solução possível
para se fazer beijar o abismo
nem leitura labial que dê conta

sinto tanto que desaprendi a falar
momentaneamente só
depois passa e penso
parece que no futuro
de pouco importam os quereres
de pouco importam os dizeres
o que importa mesmo é a distância
gigante