como faz pra esse mar secar de vez?

tudo dói o tempo todo
e nem escrever dilui
e tudo voltou a doer
a cada respiro
peito enche, faca atravessa
buraco imenso
todo o entorno é feito de vazios
e costurado de ausências
e bordado com des-palavra
embrulhado num ignorar 
sem olhos pra ver e sem calor de pele pra amassar
dureza, carne-viva, um vento sopra e sinto vívido o que não existe
nem agora, nem lá longe
tudo dói, tudo voltou a doer
retorno em ondas muito salgadas e ásperas
ralam mais, queimam a face, ardem a vida
nada-nada-nada
afoga-afoga-afoga

como faz pra esse mar secar de vez?