um sintoma
Mensagem e passagem, entrada e recurso, salvaguarda às vezes, alguns insumos e coisas além.
O sintoma é notícia de que existe aqui um corpo-estranho, parasitado, que estranha a si e a todos, que é inadequação, conflito. Notícia que pode virar pergunta, notícia que pode alarmar mais e principalmente, notícia que dá notícia - que se faz notar.
Depois de constatar diante, decidir.
Deixar-ir um sintoma é cortar um pedaço desse corpo-estranho com a faca mais cega da gaveta.
Há que se ter paciência, porque corta de pouco em pouco e às vezes só faz mastigar a pele.
Há que se observar a resistência com a dor, nula, porque afeta muito - às vezes um anestésico ajuda mas às vezes atrapalha.
Há que se ter mãos hábeis e gazes estéreis para estancar o sangue, que borbulha quente e em grande volume.
Com sorte se chega ao osso e há que serrá-lo ou quebrá-lo com a força de outro osso, rígido. Ferramentas possíveis.
Há que se pensar ou decidir, depois de tanto, o que se faz com o que se corta fora: onde ficam os restos?
Como é que se descarta uma parte de si, que esteve por tanto tempo sua, mesmo depois de tanta ânsia pela sua retirada?
Conserva-se em vidro, formol ou outros químicos?
Se faz o exercício de observação, para que se recorde, se implique e se elabore? Um luto ou mais que um.
Pedaço cortado-fora, objeto e causa de curiosidade.
Há que se ter paciência, porque corta de pouco em pouco e às vezes só faz mastigar a pele.
Há que se observar a resistência com a dor, nula, porque afeta muito - às vezes um anestésico ajuda mas às vezes atrapalha.
Há que se ter mãos hábeis e gazes estéreis para estancar o sangue, que borbulha quente e em grande volume.
Com sorte se chega ao osso e há que serrá-lo ou quebrá-lo com a força de outro osso, rígido. Ferramentas possíveis.
Há que se pensar ou decidir, depois de tanto, o que se faz com o que se corta fora: onde ficam os restos?
Como é que se descarta uma parte de si, que esteve por tanto tempo sua, mesmo depois de tanta ânsia pela sua retirada?
Conserva-se em vidro, formol ou outros químicos?
Se faz o exercício de observação, para que se recorde, se implique e se elabore? Um luto ou mais que um.
Pedaço cortado-fora, objeto e causa de curiosidade.
Dias atrás eu caminhava por um museu de anatomia e me perguntava de quem teria sido aquele pulmão, aquele fígado ou aquele coração num jarro. O que aquele órgão ou pedaço diz de alguém? A quem pertenceu? Será que foi causa de morte ou causa de vida?
E diante da gaveta, retorno: o que fazer com as partes que nos restam fora, não-visíveis para ninguém além de nós, os nossos pedaços-em-conserva?