um saber que queria ser só saber de cabeça
Ontem , em um dos encontros de formação (ou de transformação) saí um tanto remexida, pelas coisas que foram ditas de um jeito muito bonitas mas também escutadas de um jeito bonito.
A clínica (essa pergunta não cansa de aparecer) tem sido um espaço-tempo-ação. Eu, que vim da área da educação, das pedagogias, do ensinar, do saber-fazer, da dinâmica escolar com prazos, datas e resoluções (ainda que conviva em um espaço que acolhe as singularidades e tenta respirar lento) me deparei com a fluidez da clínica, com o tempo que pausa radicalmente pra gente pensar esse fazer, me deparei com o caso a caso a cada vez e isso tem tido efeitos de terremotos, chacoalhando as estruturações, fazendo rachaduras em colunas de sustentação, até então indispensáveis pra mim.
A escuta ativa e bonita que esse grupo se propõe a fazer, compartilhando suas confusões, suas ridicularidades valiosas, suas pausas pra fôlego e não-entendimentos-de-tudo-ainda-bem, permite a abertura de muitos caminhos.
Além de pensar o fazer na clínica (ou o estado de clínica, essa lindeza que surgiu por aí), fiquei pensando no meu fazer enquanto sujeito que circula pelo mundo: que fazer é esse, às vezes tão empobrecido, pela radical separação entre corpo-mente? Tão degolada em si mesma, tão corpo-travado, tão miúda. Um fazer às vezes sem arte, um fazer que se propõe a ser não-corporal. Um fazer que se propõe a ser o melhor-saber-fazer, mas não com a minha potência própria, mas com referências alheias, com a métrica do outro.